Lápis Mágico

O Coelhinho Branco

Uma fábula maravilhosa sobre um coelhinho que foi buscar couves à horta e vê a sua casa invadida pela Cabra Cabrez. Uma história que ensina que qualquer um pode ser corajoso.

O Coelhinho Branco

Era de uma vez

Um coelhinho

Que foi à sua horta

Buscar couves

P’ra fazer um caldinho.

Quando o coelhinho branco voltou depois de vir da horta, chegou à porta e achou-a fechada por dentro; bateu e perguntaram-lhe de dentro: — «Quem é?»

O coelhinho respondeu:

Sou eu, o coelhinho

Que venho da horta

E vou fazer um caldinho.

Responderam-lhe de dentro:

«E eu sou a cabra cabrez

Que te salto em cima

E te faço em três.»

Foi-se o coelhinho por aí fora muito triste e encontrou um boi e disse-lhe:

Eu sou o coelhinho

Que tinha ido à horta

E ia para casa

Fazer o caldinho;

Mas quando lá cheguei

Encontrei a cabra cabrez,

Que me salta em cima

E me faz em três.

Responde o boi:

— «Eu não vou lá que tenho medo.»

Foi o coelhinho andando e encontrou um cão e disse-lhe:

Eu sou o coelhinho

Que tinha ido à horta

E ia para casa

Fazer o caldinho;

Mas quando lá cheguei

Encontrei a cabra cabrez,

Que me salta em cima

E me faz em três.

Responde o cão:

— «Eu não vou lá, que tenho medo.»

Foi mais adiante o coelhinho e encontrou um galo, a quem disse também:

«Eu sou o coelhinho,

E ia para casa

Fazer o caldinho;

Mas quando lá cheguei

Encontrei a cabra cabrez,

Que me salta em cima

E me faz em três.

Responde o galo:

— «Eu não vou lá que tenho medo.»

Foi-se o coelhinho muito mais que triste, já sem esperanças de poder voltar para casa,

quando encontrou uma formiga que lhe perguntou: — «Que tens tu coelhinho?

«Eu vinha da horta

E ia para casa

Fazer o caldinho;

Mas quando lá cheguei

Encontrei a cabra cabrez,

Que me salta em cima

E me faz em três.

Responde a formiga: — «Eu vou lá e veremos como isso há de ser.»

Foram ambos e bateram à porta; diz-lhe a cabra cabrez lá de dentro:

«Aqui ninguém entra

Está cá a cabra cabrez

Que lhes salta em cima

E os faz em três.»

Responde a formiga:

«Eu sou a formiga rabiga,

Que te tiro as tripas

E furo a barriga.»

Dito isto a formiga entrou pelo buraco da fechadura, picou a cabra cabrez; abriu a porta ao coelhinho e foram fazer o caldinho.

Adolfo Coelho, adaptação

O Coelhinho Branco

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