Lápis Mágico

A princesa que não gostava de sopa

História para crianças exclusiva do Lápis Mágico

A princesa que não gostava de sopa, história infantil Lápis Mágico

Era uma vez uma menina que adorava ser princesa. Era a Mariana.

Todos os dias usava um vestido de princesa, rodado, de tule ou folhos: ora um amarelo, um azul ou cor de rosa - a sua cor preferida. Colocava a sua coroa e os seus sapatinhos de tacão e demorava muuuuuuito tempo a olhar-se ao espelho. Era a sua brincadeira preferida.

– Eu sou uma princesa! - dizia ela a toda a gente, muito simpática e sorridente.

Todos lhe achavam piada e sorriam. Era vaidosa mas também muito meiga, amiga de todos os meninos e tratava muito bem os animais.

O problema, o grande problema era a hora da refeição. É que ela não gostava nada da sopa. Mal a mãe colocava o prato de sopa à sua frente, ela esquecia-se de ser uma princesa e desatava a fazer birras. Não comia porque a sopa estava quente; não comia porque a sopa estava fria ou porque estava verde ou porque estava castanha. Enfim, tudo servia de desculpa para não comer a sopa.

E os pais? Não gostavam nada daquelas birras. Já não sabiam o que fazer: ora lhe davam a sopa porque pensavam que ela só queria um pouco mais de atenção; ora ralhavam com ela e mandavam-na comer com um tom de voz mais alto – às vezes passava uma eternidade até a sopa estar comida. Outros, falavam-lhe da importância de comer legumes, de como a sopa é o prato ideal para comer uma porção de legumes por dia. Até já pensavam em castigos, se as birras continuassem. Era demais. Não conseguiam ter um jantar sossegados. Ora, então, um dia, no meio daquelas birras, os pais disseram:

— Bem, não queres sopa, não comas.

A princesa Mariana, ficou a olhar muito admirada, sem querer acreditar.

— “Os pais vão mesmo deixar-me sem comer a sopa?”- pensou ela.

Então, a Mariana pôs o prato de sopa de lado e começou a comer o peixe. Olhou para os pais, impávidos e serenos, também a jantar e continuou. “Afinal, não preciso mesmo de comer sopa”- pensou ela, feliz.

Durante uns dias, assim foi. À hora da refeição, a sopa lá estava à espera. Ela comia duas colheradas e quando começava a dizer que não queria comer a sopa, os pais assentiam e deixavam-na pôr a sopa de lado.

Até que, três dias depois, inesperadamente, a Mariana viu a sopa na mesa e comeu-a toda. Não admitiu, mas sentia saudades de comer uma sopa quentinha.

E a partir desse dia, começou a comer sopa sem fazer aquelas birras tão feias. Claro que, por vezes, demorava mais ou dizia que não lhe apetecia, como qualquer menina. Mas agora, agora era uma princesa de verdade.

Ana Silva, Lápis Mágico, 2021


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