Lápis Mágico

Os Músicos de Bremen

Fábula de origem popular, recolhida pelos Irmãos Grimm e publicado em 1819 que conta a história de quatro animais, que são maltratados pelos seus donos, por já estarem velhos.

Os Músicos de Bremen

Era uma vez um burro que, durante muitos anos, tinha transportado sem descanso sacos de farinha para o moinho. Agora, estava cansado e já não conseguia fazer o trabalho. O dono pensou então em livrar-se dele. Apercebendo-se disso, o burro fugiu e pôs-se a caminho de Bremen, pensando poder entrar para a banda de música da cidade.

Algum tempo depois, encontrou um cão de caça estendido no chão.

― Ó cão, porque é que estás assim? — perguntou o burro.

― Estou velho e cada dia sinto menos forças. Como já não sirvo para caçar, o meu dono abandonou-me. – Respondeu o cão, tristemente. ― Olha ― disse o burro ―, eu vou para Bremen para entrar na banda de música. Vem comigo e também poderás tocar na banda.

O cão achou boa a ideia e continuaram juntos. Caminharam algumas horas até encontrarem um gato.

― Ó gato, o que tens? ― perguntou o burro.

― Estou a ficar velho e já não consigo caçar ratos, a minha dona tentou afogar-me. Escapei a tempo, mas agora, o que vai ser de mim?

― Anda connosco para Bremen. Tu até percebes de serenatas, portanto podes entrar para a banda de música da cidade.

O gato gostou da ideia e foi com eles. Pouco tempo depois, os três animais passaram por uma quinta onde estava um galo a cantar.

O burro perguntou:

― O que há contigo?

― Amanhã é domingo e a dona da casa, mandou a cozinheira matar-me. Por isso estou a cantar com toda a força que tenho e tenciono continuar enquanto puder.

― Humm, acho melhor vires connosco. Nós vamos para Bremen, o que sempre é melhor do que ir parar à panela. Tens uma bela voz e, todos juntos, vamos dedicar-nos à música. – Disse o burro.

A proposta agradou ao galo e lá foram os quatro.

Já era noite quando entraram numa floresta, onde decidiram passar a noite. O burro e o cão deitaram-se debaixo de uma grande árvore, o gato enroscou-se nos ramos mais baixos. Mas o galo, por uma questão de segurança, preferiu empoleirar-se o mais alto possível. Antes de adormecer, olhou em todas as direções e viu uma luz.

Chamou os companheiros e disse-lhes que não muito longe dali devia haver uma casa porque se via luz. O burro sugeriu:

― Era melhor levantarmo-nos e continuarmos o nosso caminho, porque aqui não estamos muito bem instalados.

Então, o burro, o cão, o gato e o galo encaminharam-se para a luz e perceberam que dentro da casa estavam um bando de ladrões, sentados à mesa a comerem uma boa refeição.

Os quatro animais, cheios de fome, começaram a pensar num plano para expulsarem os ladrões. Treparam uns por cima os outros: o burro pôs as patas na janela, o cão saltava-lhe para as costas, o gato trepava para cima do cão e o galo voou para cima da cabeça do gato. Desataram a cantar: o burro zurrava, o cão ladrava, o gato miava e o galo cantava! Era uma barulheira ensurdecedora!

Os ladrões, sem perceber o que se passava, assustaram-se, e fugiram apavorados. Os quatro amigos sentaram-se à mesa e devoraram tudo, como se já não comessem há semanas.

Quando acabaram, os quatro músicos foram à procura de um bom sítio para dormir.

Passaram umas horas e os ladrões voltaram a entrar na casa, onde tudo estava sossegado e em silêncio. Foi contra o gato que saltou e o arranhou; o cão, que estava lá deitado, saltou e mordeu-lhe numa perna; o burro deu-lhe um par de coices, e o galo, que tinha acordado com toda esta confusão cantou do alto do seu poleiro.

Foi tão grande o susto que os ladrões nunca mais se atreveram a voltar àquela casa, pensando tratarem-se de fantasmas. E os quatro músicos gostaram tanto de lá estar que nunca mais saíram.

Versão adaptada do conto dos Irmãos Grimm

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