Lápis Mágico

Polegarzinho

Quando perceberam que era o Polegarzinho quem tão bem orientava o cavalo, dois estranhos que por ali passavam ficaram muito surpreendidos e quiseram levar o menino com eles.

Polegarzinho

Era uma vez dois camponeses que viviam muito desgostosos por não terem filhos.

— Era tão bom termos uma criança, nem que fosse do tamanho de um polegar! - desejou o camponês.

Deus ouviu-os e, sete meses depois, a camponesa dava à luz um menino tão pequeno como um polegar!

Chamaram-lhe, por isso, Polegarzinho. Um belo dia, quando ia com o pai buscar lenha, o Polegarzinho quis subir para a orelha do cavalo:

— Assim posso-lhe ir indicando o caminho; serei o seu cocheiro invisível!

Quando perceberam que era o Polegarzinho quem tão bem orientava o cavalo, dois estranhos que por ali passavam ficaram muito surpreendidos e quiseram levar o menino com eles:

— Na cidade hão de pagar-nos para vê-lo!

O pai não quis vendê-lo, mas o Polegarzinho prometeu que iria por pouco tempo e pôs-se a caminho com eles.

Depois de um dia inteiro a andar, o Polegarzinho escapuliu-se, escondendo-se dentro da casca de um caracol. E adormeceu. Mais tarde acordou com dois homens a falar:

— Como é que havemos de roubar o ouro do padre?

— Eu posso ajudá-los! - gritou o Polarzinho, pronto a enganá-los. - Consigo passar entre as grades!

— Ótimo! Então vamos a isso! - decidiram eles.

Mas mal chegaram a casa do padre, o Polegarzinho entrou e pôs-se a gritar:

— Querem mesmo o ouro todo que está aqui dentro?

Os ladrões suplicaram-lhe que se calasse, mas ele não parava de gritar e, com o barulho, acordou toda a casa.

A criada levantou-se e os ladrões tiveram de fugir.

Escondendo-se no feno do estábulo, o Polegarzinho adormeceu profundamente.

Mas de manhãzinha, quando a criada foi alimentar os animais, deu às vacas todo o feno e o Polegarzinho foi engolido junto.

— Socorro! Não consigo respirar! - gritava ele.

A vaca, assustada, dava saltos e mais saltos e a criada correu a chamar o padre.

O Polegarzinho gritava, gritava… e o padre pensando que a vaca estava enfeitiçada, exigiu que a matassem.

E quando o estômago do animal foi atirado para um monte de estrume, o Polegarzinho foi junto com ele!

Foi, então, que apareceu por ali um lobo esfomeado que resolveu engolir o estômago, com o menino dentro.

Mas o espertalhão do Polegarzinho disse ao lobo:

— Senhor lobo, conheço um ótimo lugar para comer uns bons petiscos.

— Ah, sim? E onde é que isso fica?

— É muito perto daqui, numa casa onde há imensos toucinhos, bolos. E basta entrar pelo respiradouro.

Era a casa do Polegarzinho!

O lobo empanturrou-se de tal modo que, quando quis ir-se embora, já não conseguia passar pelo respiradouro. E o Polegarzinho fez tanto barulho que os pais vieram a correr.

— Pai! Sou eu! Estou aqui dentro do lobo!

O pai foi buscar uma espingarda, matou o lobo e o Polegarzinho saiu, finalmente, cá para fora.

Como eles ficaram contentes ao ver o filho!

— Estávamos tão preocupados! Onde te meteste?

— Estive na orelha de um cavalo, na casca vazia de um caracol, no chapéu de um vagabundo, no estômago de uma vaca e na barriga de um lobo! Tive muito medo mas aprendi a lição.

— Agora vais ficar connosco e nunca mais nos separaremos de ti!

Irmãos Grimm (adaptado)

Polegarzinho

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