Lápis Mágico

Twinkle o cão do Pai Natal

Uma história original Lápis Mágico sobre o cão do Pai Natal, que sonhava ser ajudante do velhinho de Barbas brancas.

Twinkle, o cão do Pai Natal

Todos sabem que o Pai Natal vive na Lapónia, durante todo o ano, com a Mãe Natal, as suas renas ( Corredora, Dançarina, a Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão, Relâmpago e Rudolfo) e os ajudantes.

Do que ninguém se lembra, é que o Pai Natal, apesar de passar todo o ano a fazer brinquedos com os seus ajudantes, para entregar a todas a crianças do mundo, é um homem de família como todos os outros.

E qual é o melhor amigo do homem? O cão, pois claro.

E perguntam vocês: O Pai Natal tem um cão? Tem sim! Tem um cão chamado Twinkle e é dele que vamos falar hoje.

Twinkle é um cão dedicado ao dono. Acompanha-o nos passeios matinais (pois é, o Pai Natal tem que abater aquela barriguinha – mandou o médico de família); dorme aos pés do Pai Natal quando ele se senta no sofá a descansar; toma conta das renas quando vão pastar e espera ansiosamente, de rabo a abanar, que o Pai Natal chegue da sua oficina.

É que o Twinkle não tem autorização para entrar na oficina dos brinquedos, onde os duendes trabalham sem parar, para ter tudo pronto na véspera de Natal. Quando era pequenino, chegou a esgueirar-se para lá, atrás do dono, a saltitar.

Imaginas o que aconteceu? Sim, foi mesmo isso. Trapalhão, como todos os cães, partiu alguns brinquedos e deixou o Pai Natal bastante aborrecido. Ano após ano, o nosso Twinkle foi ficando mais triste à medida que o Natal se aproxima. Ele gosta do Natal, mas é nessa época que o dono deixa de ter tanto tempo para brincar com ele e passa mais tempo com as Renas. Nem sequer pode participar nos preparativos para entregar os presentes. E ele sonhava ir com o Pai Natal entregar todos aqueles presentes. Era o que mais desejava.

– Aauuuuu….- uiva ele, tristonho.

– O que tens, Twinkle? – Perguntou o Rodolfo, estranhando toda aquela tristeza.

– Ninguém me liga. Falta uma semana para o Natal e já não vejo o Pai Natal há dias. A Mãe Natal faz-me festinhas mas também está atarefadíssima com as decorações. E eu fico aqui sozinho, sem poder realizar o meu sonho de ser ajudante do Pai Natal.

– Então, mas não sabes que estamos em contagem decrescente para a entrega dos presentes? É a época mais feliz aqui na Lapónia…

– Vou já interromper-te! Sei isso tudo e, é por isso, que me sinto aborrecido. Quero ajudar. Quero ir com o Pai Natal no trenó e ajudar a entregar os presentes. E olha lá, não estarás a ficar doente, Rodolfo?? Tens o nariz vermelho. SE estiveres CONSTIPADO, eu posso substituir-te.

– Ah, Aha,aha hah. Não me faças rir mais. És tão engraçado.

E todas as renas, que estavam a ouvir a conversa, se riram dele. Pensavam que ele estava a brincar.

– E que ias fazer? Fazer asneiras? És tão trapalhão que ainda partias alguma coisa. Não precisamos de ti. – Respondeu a Cometa.

– Ei, esperem aí. Não gozem com o nosso amigo. - disse o Rodolfo, a tocar no nariz, ainda a pensar no que disse o cão. Primeiro, não me sinto doente e o meu nariz é mesmo assim vermelho. Não conheces a minha história? Eu também não fazia parte do grupo das renas que levam o trenó do Pai Natal.

Twinkle, sentou-se de rabo a abanar, interessado.

– Não?
– Não, Twinkle. Sei como te sentes. E suspirando, olhou-o nos olhos e contou:

Há muitos anos, andava perdido na floresta, cheio de frio por causa da neve. Tinha-me afastado da minha família, porque sentia que todos gozavam comigo por ter o nariz vermelho. Eu sei que eles gostam de mim, contudo nunca me senti bem ao lado dos meus irmãos, por ter o nariz vermelho. Então, nesse dia, procurava um sítio para me abrigar quando percebi que o meu nariz começou a brilhar. Fiquei surpreendida! Estava uma noite de nevoeiro e a luz ajudou-me a ver ao longe. O Pai Natal, estava a sobrevoar aquela zona, quando viu a luz e parou. Ficou espantadíssimo por ver uma rena com nariz a brilhar e teve logo uma ideia fantástica. Pediu-me para me juntar a ele e às outras renas, para que fosse à frente, a iluminar o caminho. Conseguimos distribuir todos os presentes, apesar do atraso que houve por causa do nevoeiro. No fim da noite, o Pai Natal agradeceu-me e perguntou-me se queria passar a fazer parte das renas do Pai Natal. Foi o dia mais feliz da minha vida.

– Uau, Rodolfo. Que história linda. Também gostava de poder ajudar como tu fazes.

– Então, meu amigo, vamos elaborar um plano para ires connosco.

Finalmente, chegou o dia e, estavam já nos últimos preparativos. Todos ajudaram a colocar os milhões de presentes no saco mágico.

Twinkle corria, de uma lado para o outro, com prendinhas na boca, cheio de vontade de mostrar que podia ser útil.

Finalmente, o Pai Natal, amarrou as renas ao trenó e o Twinkle, disfarçadamente, subiu e escondeu-se no meio das prendas. Já suspirava de alívio e entusiasmo por ter conseguido entrar, quando a sua cauda, involuntariamente, começa a abanar e PUMBA.

Prendas no chão.

– Oh, oh – suspiraram as renas, ao perceberem o que tinha acontecido.

O Pai Natal correu para o trenó e, viu-o, escondidinho no meio das outras prendas.

– O que é isto, Twinkle?? Não podes estar aqui. Sai, maroto. Disse o Pai Natal, muito meiguinho.

Twinkle, gania de tristeza. “Por favor, Pai Natal. Por favor. Deixa-me ir contigo. Nunca mais te peço nada. Eu vou aqui, quietinho. Quero tanto ajudar-te.”

O Pai Natal, coçou a barba branca e começou a falar, como se estivesse a falar sozinho. “Não posso levar ninguém no trenó, ainda por cima sou gordinho e íamos ficar apertados. Está visto que não pode ir ao lado das prendas porque as estraga com a cauda. Não há solução.”

– Não, Twinkle, não pode ser.

– Ó Pai Natal, não acredito que não lhe vais fazer a vontade. É a prenda de Natal dele. Há tantos anos que o Twinkle sonha com isto. Temos que arranjar um espacinho.

O Pai Natal ficou sensibilizado com o discurso das renas. Olhou para o cão, deitado, tristonho e não teve dúvidas.

– Muito bem. Vamos lá a isso. Twinkle, este ano és mais um ajudante do Pai Natal. Vais meter-te no meu saco mágico e vamos ver o que acontece.

– Au, au au, auuuuuu.

Twinkle estava eufórico. Finalmente, ia com o Pai natal. Sem esperar, enfiou-se no saco do Pai Natal e a viagem começou.

OH OH OH

Foi uma noite mágica para todos. As renas, muito concentradas, voaram pelo céu, para chegar a todos os países, a tempo de os meninos abrirem as prendas à meia-noite (ou na manhã de Natal). Muito solicito, o Twinkle dentro do saco vermelho, atirava as prendas ao Pai Natal quando este saía do trenó. Depois, escorregava pela chaminé e, às vezes, até trazia uma bolachinha para o seu novo ajudante.

“Já entendo porque razão a barriga do Pai Natal fica maior, no Natal.” Pensou o cão.

OH OH OH

– Ainda bem que cá estás, Twinkle. Assim, partilho as bolachas contigo e não tenho que ouvir a Mãe Natal dizer que já engordei mais uns quilitos.

OH OH OH

No fim da noite, estavam cansados mas satisfeitos.

– Foste uma grande ajuda, Twinkle. - Disse o Pai Natal, afagando-lhe as orelhas. Ele, entusiasmado, abanava a cauda e dava saltos.

– Obrigado, Pai Natal. Era o que eu mais queria.

E foi assim que, no Natal, o Pai Natal passou a ter mais um ajudante: o seu cão Twinkle.

Será que já passou por tua casa?

Ana Filipa Silva, Lápis Mágico, 2020

Twinkle o cão do Pai Natal


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